"Minha poesia perdeu a memória"
#1 - Cartas para Não Dizer >>> Cartas que escrevemos e rasgamos
Esta carta – se fosse uma carta – teria dito coisas simples, algo que coubesse numa frase só. No fim das contas, compus versos longos e precisos como o arrastar de um relógio… Versos vivos e concretos (iguais a você e a mim)... Versos intermináveis, estendidos sem paredes para além do vazio horizontal distante.
Mas isso nem importa mais! Minha poesia perdeu a memória e os meus versos continuam estáticos naquela tarde.
Duvidei de ti, pois adivinhei um sentimento inesperado que fora inscrito ao fundo de uma carta. Desacreditei de mim por não saber como acolher a vida que me escolhia. Tudo, pra mim, era imenso e eterno e impossível. Tudo, aos teus olhos, sempre foi possível e claro como um meio-dia de dezembro. Nada (pra nós) disse ou indicou o futuro.
Cada microssegundo se estendeu ao infinito e o universo inteiro ficou imóvel diante de nós: era teu rosto imitando um pôr do sol.
• Fragmentos de “Cartas para Não Dizer”1 | Ruan de Carvalho, o poeta onírico.
“Cartas pra Não Dizer” é um livro que tenho elaborado nos últimos anos… Fala de amores não ditos, sentimentos adiados e acontecimentos cotidianos que se misturam aos fluxos de consciência. São textos que não buscam resposta, apenas um exercício de sobreviver ao excesso de sentir (como quem escreve para não se perder dentro do que sente).



