"Você está exausto de ter que se provar"
#2 - Cartas Para Não Dizer >>> A síndrome do impostor e a verdade dos loucos
Esta carta não é uma prosa poética para anestesiar a minha mágoa de nunca compreender nada (embora pareça que é). Escrevi, e apaguei todos os versos que teriam sido como transpassar a tela na qual jurei não tocar – a gente sabe que é impossível tomar pra si mesmo o pôr do sol, que não podemos agarrar a primavera entre os braços ou que é impossível andar de mãos dadas com o vento que passa sobre a cidade… Sei que é loucura querer ter desejos quando não me é permitido ter desejos.
Essa carta não é pra provar que tenho respostas ou caminhos. Não. Tudo o que disse é somente confissão – que sou só um menino tentando provar que não é apenas um menino. E que cansaço! Eu sinto uma fadiga de ter que, diante da imensa existência, estar me validando o tempo todo… Você está exausto de ter que se provar, seja pra si mesmo ou para os outros… A humanidade parece ter chegado ao seu limite de tentar convencer a si mesma de que é o bastante.
Talvez tudo o que tenho escrito nem deveria ser lido: eu me sinto o poeta mais íntimo das coisas, porque não quero descrevê-las pra ninguém, forçando-as para fora de seu descanso de existir. Eu fiz essas linhas pra dizer que vou trancar a porta do meu quarto e que, em segredo, irei compor sem remorsos as minhas escolhas como quem inventa a sua própria liberdade, ainda que termine prisioneiro de si mesmo.
É bem provável que, no fundo, ninguém tenha o poder de escolher muita coisa ao longo da vida. Se pudesse, acredite, não teria escolhido tantos amores impossíveis, não teria gasto tempo demais tentando decifrar a vida e deixando de habitá-la, não teria me cegado para muitas coisas realmente importantes ao longo dos anos, não teria recuado diante das chances de me arriscar.
Eu sei que várias coisas importantes não passam pela nossa preferência ou vontade. A liberdade total e irrestrita de reescrever as coisas, recriando nossa história de acordo com nossas decisões e desejos – isso me parecia ilusão, nada mais que sonho… Porém, talvez não seja assim. Afinal, é preciso aprender com os loucos: as coisas são aquilo que pensamos e sabemos delas. Inventar a própria realidade é domar a existência.
• Fragmentos de “Cartas para Não Dizer”1 | Ruan de Carvalho, o poeta onírico.
“Cartas pra Não Dizer” é um livro que tenho elaborado nos últimos anos… Fala de amores não ditos, sentimentos adiados e acontecimentos cotidianos que se misturam aos fluxos de consciência. São textos que não buscam resposta, apenas um exercício de sobreviver ao excesso de sentir (como quem escreve para não se perder dentro do que sente).
❤️ MUITO OBRIGADO PELA LEITURA! ❤️
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Mais um belo texto, altamente introspectivo porém, com nuances interessantes onde em certo ponto vc demonstra certa insegurança quando na verdade é um florida de um menino culto. Quando a mente começa a ditar as inspirações, é como se fechamos um circuito poderoso e daí vão se formando o tema, no seu caso uma carta carregada de sentimentos... Finalizo dizendo que vc não deve fica exausto pelo prazer que a escrita nos proporciona e jamais se preocupar em provar algo a alguém. Sucesso 🙏🏾 🙏🏾
@OPoetaLuízKon'Z ✒️ 📝 🖋️